domingo, 8 de setembro de 2013

Vulcão dos Capelinhos - Actualidade

O Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos (CIVC), inaugurado em 2007, encontra-se submerso nas areias vulcânicas, enterrado até à cota do terreno antes da erupção. Neste espaço, é possível fazer uma viagem virtual e inter-activa que, descreve o fenómeno ocorrido nos anos 1957-58 e enquadra-o, no plano científico, com o vulcanismo a nível mundial. No final da visita, pode-se subir ao farol (157 degraus!) e observar a paisagem vulcânica circundante.

Debaixo das cinzas vulcão. Salão de entrada do CIVC.

Escadas de acesso ao topo do Farol dos Capelinhos.

Vista central do Vulcão dos Capelinhos, a partir do Farol.

Cornucópia (direita do vulcão).

Baía (esquerda do vulcão).

As toneladas de diversos materiais piroclásticos soltos aqui depositados dão à paisagem de tons negros e avermelhados um misto de aspecto lunar - marciano, que se acentua à medida que subimos e nos aproximamos do cone central do vulcão. Trilho no Vulcão I.

Trilho no Vulcão II.

Trilho no Vulcão III.

Trilho do Vulcão IV.

Vista da costa para Norte Pequeno, a partir do monte das cinzas submarinas.

A caminho do cone central (fase terrestre), numa das vertentes do monte das cinzas (fase submarina), a vida vegetal parece voltar timidamente...

No final da erupção, o cone central tinha 160 m. Encosta que ainda resiste ao tempo e à erosão.

A erosão tem reduzido o volume do vulcão. Cerca de metade do cone já colapsou.

A aridez majestosa do lugar. Monte das cinzas submarinas.

Farol, baía e cais vistos do Vulcão dos Capelinhos.

Mais de cinquenta anos passados, ainda há muitos vestígios da erupção e da crise sísmica associada que levaram ao abandono de muitas habitações no Capelo e à fuga para os EUA de 15 mil faialenses, metade da população da ilha! Em consequência da acção política dos senadores democratas John O. Pastore e John F. Kennedy (que viria, em 1961, a ser Presidente e, dois anos mais tarde, assassinado), houve uma autorização especial para aumentar a cota da emigração açoriana, justificada pela perda de bens. Uma cópia do documento foi oferecida ao CICV, pelo Embaixador dos EUA em Portugal.

União Vulcânico!... Só o nome intimida!... Se a união faz a força, um vulcão leva tudo à frente! Quando eu era criança e via os jogos do Varzim na 1ª divisão, acompanhado pelo meu pai, ouvia, quando o árbitro “roubava” o clube da casa, os insultos da assistência mais exaltada, que terminava sempre com o clássico, gritado a plenas guelras: “Vais ao mar, filho da p…!”. Imagino, por breves instantes, no silêncio e na solidão deste pelado negro empoeirado, um penalti mal assinalado contra o União e a revolta da multidão: “Vais ao vulcão, filho da p…! “Arena Stadium” do União Vulcânico (1990-2006), Capelo.

















Vulcão dos Capelinhos - Introdução

O Vulcão dos Capelinhos situa-se no extremo oeste do Faial e resultou da acumulação de produtos vulcânicos, emitidos ao longo de treze meses de actividade contínua, entre 27 de Setembro de 1957 e 24 de Outubro de 1958. Na madrugada do dia 27, com a terra a tremer continuamente, os vigias da baleia do Costado da Nau, perto do Farol dos Capelinhos, notaram o oceano revolto. Assustados, alertaram os faroleiros e os seus companheiros da baleação. Não era baleia, nem cachalote – a erupção tinha começado!
A paisagem que hoje se observa resulta de duas fases distintas: entre Setembro de 1957 e Maio de 1958, predominou a fase submarina, com jactos pontiagudos de cinzas (quando o vento soprava de Oeste, o cheiro a enxofre e as cinzas chegavam à Horta!) e densas nuvens de vapor de água, devido ao contacto da lava incandescente com a água fria do mar; entre Maio e Outubro de 1958, deu-se a fase terrestre, com a projecção de diversos materiais piroclásticos: bagacinas (pedra pomes), bombas (fragmentos arredondados) e emplastros (fragmentos que atingem o solo ainda com alguma plasticidade e que, devido à colisão, adquirem uma forma achatada). No início desta nova fase, apareceu um lago de lava fluida com altos repuxos de basalto em fusão. A passagem da actividade submarina para a terrestre, na noite de 12 para 13 de Maio, foi marcada por uma forte crise sísmica em que ocorreram cerca de 450 abalos.
Com o passar das semanas e dos meses, o Vulcão dos Capelinhos, que tinha, inicialmente, dado lugar ao nascimento de uma ilhota anelar, passou a península, integrando-se no Faial. No final, com as cinzas e lavas expelidas, a área da ilha tinha aumentado 2,4 Km2. Apesar da violência sísmica e vulcânica, ninguém morreu. (adaptado de Victor Hugo Forjaz, Vulcanólogo da Universidade dos Açores, Capelinhos – Um Vulcão que veio do Mar e Andreia Porteiro, Geóloga do Parque Natural do Faial, A erupção do Vulcão dos Capelinhos, http://siaram.azores.gov.pt )

Conjunto de seis fotografias de Robert Sisson, publicadas num artigo na National Geographic, A new volcano bursts from the atlantic, em Junho de 1958.













Postal digitalizado. Vulcão dos Capelinhos, Lago Hawaiano. 
Foto: Victor Hugo Forjaz, 13.05.1958.


Edifício vulcânico construído pelo Vulcão dos Capelinhos pouco após o termo da erupção. 
Foto de O. Veiga Ferreira, 1959. Fonte: geocrusoe.blogspot.pt



Travessia Madalena - Horta

Desembarque em 1970 de um autocarro da Empresa Cristiano Lda no Porto de Areia Branca, Madalena. O autocarro vinha de fora, era descarregado na Horta, onde ficava a aguardar a transferência para o Pico. Em dia de mar chão, vinha no batelão “Lusitânia” até ao Porto de Areia Branca. A fotografia é um testemunho da criatividade e do talento da engenharia portuguesa.
Fonte: portodamadalena.blogspot.pt (sem identificação do autor)

No dia em que cheguei, passou pelo aeroporto com mais de meia hora de atraso. Na manhã de sábado em que parti, nem apareceu… O barco para a Horta saía às 08H15 e o “Cristiano”, se fosse pontual, devia passar no Cais de S. Roque às 07H10. Eram 07H40 e nada… Pouco tempo depois, fui salvo por uma boleia que me deixou no Porto da Madalena às 08H05. Pelo caminho, em Sto António, cruzei-me com o “Cristiano” vazio, a sair de um cruzamento fora de rota, em sentido contrário àquele horário da manhã… O barco cumpriu o que estava programado. Partiu rigorosamente às 08H15, como se estivéssemos num porto alemão. Os açorianos podem andar, por vezes, um pouco perdidos em terra, mas, em contrapartida, são grandes no mar!

Início da viagem. Saída da Madalena.

A travessia do belíssimo canal do Faial é mais do que uma curta viagem de 30 minutos. Deixam-se para trás os sinais de um viver rural, a contemplação da natureza, o longo silêncio, para se entrar na mais cosmopolita cidade açoriana – a Horta.

Passagem pelos ilhéus da Madalena.

 Chegada à Horta. Fim da travessia.




Da Ponta da Ilha a Sto Amaro: costa Norte (Calhau, Manhenha, Piedade, Terra Alta, Sto Amaro)

Centro Cultural e Recreativo do Calhau, Piedade.

Porto do Calhau, Piedade.

Início do trilho da Ponta da Ilha. Vista geral da Baía do Calhau, Piedade.

Ponta do Castelete, Piedade.

Uma parte significativa do trilho de 7 km, desde o Calhau até ao Farol de Manhenha, na Ponta da Ilha, é feita junto à costa, por um antigo caminho de pescadores, em rocha basáltica.

A caminho da Ponta da Ilha…

Ponta da Ilha, Piedade.

Farol de Manhenha, Piedade.

Início do trilho Caminho das Voltas. 
Ao fundo, S. Jorge. Miradouro da Terra Alta, Sto Amaro. 

Precipício de 400 metros. Miradouro da Terra Alta, Sto Amaro.

A caminho de Sto Amaro… por entre floresta, vinhas e mar.

Homenagem a Manuel Joaquim Melo, considerado um génio da construção naval. Aprendiz auto-didacta, desenvolveu o seu ofício no Pico e, mais tarde, na Califórnia, em embarcações que participaram na mais famosa prova de vela do mundo, a Taça América. Segundo me contaram, depois de ter adoecido, regressou aos EUA. O museu encontra-se fechado. A chave foi entregue a uma vizinha que não se encontrava em casa quando passei por lá… 
Exterior do Museu Marítimo e da Construção Naval (privado), Sto Amaro.












Das Lajes à Piedade: costa Sul (Queimada, Arrife, Ribeiras e Calheta de Nesquim)

Campo de milho, a caminho da Ponta Queimada.

Finalmente, ao quinto dia, consigo ver o Pico cá em baixo! 
Na estrada, a caminho da Ponta Queimada.

Vigia da baleia. Ponta Queimada.

Quando o vigia avistava uma baleia com os seus binóculos, avisava as tripulações dos botes soprando um búzio ou lançando um foguete. Mais tarde, com o avanço tecnológico, passou a usar-se o rádio e o telefone. Fotografia no interior do 1º andar da Vigia da Queimada. O calendário de parede assinala a passagem de Julho, de 1958.

Actualmente, algumas vigias da baleia estão ao serviço das empresas de observação de baleias. Marcelo, eco-vigia da Empresa Espaço Talassa (www.espacotalassa.com), regista e informa a localização de cetáceos, via rádio, para as embarcações nas Lajes.

Vista de Ribeiras, a partir da Ponta do Arrife. 
Ao fundo, Calheta do Nesquim. Duas freguesias com forte tradição baleeira.

Meia traineira da pesca ao atum que, durante algum tempo, alimentou a ideia de um ribeirense de transformá-la em adega. Como acontece frequentemente, há muitos sonhos que não cabem no mundo…

Há mais coisas insólitas em Ribeiras. O Patinódromo João H. Tomé, inaugurado em 29.06.2001, pelo Presidente da CM de Lajes do Pico, Claudino José Gomes Lopes. 

Por último, nesta “colecção de excentricidades ribeirenses”, o amor de um habitante local pela sua ilha levou-o a este arranjo no seu jardim. Atenção ao detalhe do chafariz!

A existência de terra arável e a melhor protecção natural contra as intempéries facilitam o cultivo da banana em Ribeiras. 

Tal como na Póvoa de Varzim, antigos pescadores passam o tempo a jogar dominó. Clube Náutico Sta Cruz, Ribeiras.

Sociedade Filarmónica Recreio Ribeirense. Ribeiras.

Os bigodes e os chapéus de aba larga fazem-me lembrar um grupo de revolucionários mexicanos. Primeiros Tocadores da Sociedade Filarmónica Recreio Ribeirense, 6 de Janeiro de 1900. 
Fonte: ribeirensedealma.blogspot.pt (sem identificação do autor)

Casa dos Botes, Calheta de Nesquim.

Canoa baleeira Manuela Neves. À esquerda, na parede, fotografias perpetuam a memória das gentes da baleação: mestres, remadores, arpoadores, vigias, ferreiros, carpinteiros, escritores; ao fundo, à direita, troféus ganhos nas regatas (remo e vela) em que participaram antigas canoas baleeiras. Casa dos botes, Calheta de Nesquim.

Pormenor das gentes da baleação. Casa dos botes, Calheta de Nesquim.

Em baixo, à esquerda, fotografia do escritor José Dias de Melo (Calheta de Nesquim, 1925 – Ponta Delgada, 2008), autor de “Pedras Negras” (1964), que narra as aventuras do baleeiro Francisco Marroco. Casa dos Botes, Calheta de Nesquim.

Igreja do Divino Espírito Santo, Calheta de Nesquim.

Igreja de S. Sebastião, 1856. No primeiro plano, Capitão Anselmo da Silveira (1833-1912), fundador da pesca à baleia no Pico, em 28.04.1876. Calheta de Nesquim.

Casa do Alto do Canto da Rocha onde viveu Dias de Melo. Calheta de Nesquim.