domingo, 4 de outubro de 2015

Ribeira Grande

As condições ambientais e climatéricas de S. Miguel permitiram a introdução de diversas culturas tropicais, que contribuíram para o desenvolvimento regional e que constituem hoje imagens de marca do território. A mais conhecida será, provavelmente, o ananás, plantado em estufas nos arredores de Ponta Delgada. Mas, há outras. Na freguesia da Maia, na costa Norte, pode-se visitar a Gorreana, a mais antiga fábrica de chá na Europa e, no final, degustar uma infusão e admirar a serenidade que emana da geometria linear das plantações da camellia sinensis (www.gorreana.org). Não muito longe dali, existe o Museu do Tabaco, instalado numa antiga fábrica que funcionou entre 1871 e 1988. Ao contrário da Gorreana, poucos visitam o museu. É pena, pois não é apenas o guardião do processo de transformação de um produto; é também um importante testemunho da influência económica da planta e das alterações sociais que provocou nos hábitos e nas relações laborais (http://museutabacomaia.webcindario.com/ index.php).
No maciço vulcânico da Serra de Água de Pau localizam-se os principais motivos de interesse paisagístico da Ribeira Grande: o Monumento Natural da Caldeira Velha e a Reserva Natural da Lagoa do Fogo. A Caldeira Velha é uma zona de vulcanismo secundário onde sobressai um campo fumarológico, associado a um sistema de nascentes termais que caem em cascata numa pequena represa de águas acastanhadas, devido à abundância de ferro. No Parque, existem duas piscinas envolvidas numa vegetação luxuriante e um centro de interpretação que permite fazer uma viagem pela origem vulcânica das ilhas (http://siaram.azores.gov.pt/centros-interpretacao/CI-Ambiental-Caldeira-Velha/_intro.html). Subindo a estrada, em direcção ao Pico da Barrosa, chega-se à Lagoa do Fogo. Enquanto as Sete Cidades conservam a carga edénica que se associa às lendas das ilhas perdidas no meio do Oceano, a beleza dramática do Fogo recorda-nos a sua formação. Do alto da serra 300 mil anos nos contemplam.

Mulheres transportando a folha de chá, 2ª metade do século XIX.
Fonte: Arquivo fotográfico da Fábrica de Chá da Gorreana.

Exterior da Fábrica de Chá Gorrena.

Interior da Fábrica de Chá Gorreana.

Plantações de chá I - Gorreana.

Plantações de chá II - Gorreana.

Entrada no Museu do Tabaco da Maia.

Interior do Museu do Tabaco da Maia.

Secagem da folha de tabaco.

Miradouro de Santa Iria sobre a costa Nordeste de S. Miguel.

Caldeira Velha.

Piscina natural da Caldeira Velha I.

Cascata.

Piscina natural da Caldeira Velha II.

Lagoa do Fogo.

Ponta Delgada - concelho

O Miradouro Vista do Rei é o local de onde o Rei D. Carlos e a Rainha D. Amélia contemplaram a Lagoa das Sete Cidades, em 6 de Julho de 1901. Em frente, entreabre-se um amplo panorama que abrange céu, ilha e mar. Ao centro, no interior da caldeira, a lagoa de dupla coloração, atravessada por uma pequena ponte que separa as águas verdes e azuis. Em redor, paredes vulcânicas carregadas de densos bosques de criptomérias e caminhos ladeados por sebes de hortências e conteiras. Lembro-me da primeira vez que cá estive e do impacto que este cenário onírico e silencioso teve em mim. Passados trinta anos, a paisagem é a mesma de todos os tempos, mas já não há sossego no pequeno largo que se encontra ao lado da carcaça de um hotel abandonado, sobranceiro à lagoa. Chegam autocarros com turistas, o estacionamento é um pouco caótico e, tal como num recinto de uma festa popular, há roulotes com recordações, comidas e bebidas! (O bom senso recomenda que se reorganize o local antes que a vulgaridade se torne irreversível). Nas imediações, retoma-se a tranquilidade e o deslumbramento nas cumeeiras que circundam a caldeira e noutros miradouros menos concorridos, como, por exemplo, no Canário.

À tarde, após o almoço nas Sete Cidades e a visita à Casa do Parque, (http://siaram.azores.gov.pt/centros-interpretacao/casa-do-parque-SMiguel/Casa-do-Parque.pdf), o percurso continua em direcção à Ponta da Ferraria, na costa Ocidental, onde se situam umas piscinas naturais e um spa termal moderno e sofisticado. Para lá chegar, é preciso descer a escarpa, por uma estrada tortuosa, desde o Miradouro de Sabrina até à borda costeira. A originalidade das Termas da Ferraria resulta da mistura de águas de nascentes vulcânicas a 62º C com águas do mar a 20º C. Eis a questão: ser “rei por um dia” no resguardo do spa (ver programas em http://www.termasferraria.com/) ou tomar um banho ao ar livre na pequena enseada com o Atlântico a 40ºC? Da dúvida à certeza. A Ferraria é mais um prodígio derivado da natureza vulcânica açoriana.

Vista das costas Norte e Sul de S. Miguel, sentido Oeste-Este, a partir do Pico do Carvão.

Miradouro do Canário.

Lagoa Santiago.

Lagoa das Sete Cidades a partir do Miradouro Vista do Rei.

Postal digitalizado: Sete Cidades, 7 de Setembro de 1919, fotografia de Francisco Afonso Chaves, 1857-1926, colecção Museu Carlos Machado – Ponta Delgada, patente na exposição “Para além da paisagem”, Casa do Parque das Sete Cidades.

Lagoa das Sete Cidades vista do Espaço. Agência Espacial Europeia, 6 de Dezembro de 2014. Fonte: http://oasa.centrosciencia.azores.gov.pt/noticia/lagoa-das-sete-cidades-nos-a%C3%A7ores-vista-do-espa%C3%A7o-%C3%A9-destaque-na-esa

Miradouro de Sabrina sobre a Ponta da Ferraria – Ginetes.

Ponta da Ferraria – Ginetes.

Piscinas naturais – Ponta da Ferraria – Ginetes.

Miradouro do Escalvado sobre a Ponta da Ferraria.

Miradouro do Escalvado sobre Mosteiros.

Praia de Mosteiros.






sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Despedidas

Queimada, Aeroporto de S. Jorge.
O avião da SATA que me há de levar à Base das Lajes, Terceira.

Voo S. Jorge -Terceira. Vista aérea da costa norte de S. Jorge.

Ponta dos Rosais

À saída de Velas, a caminho dos Rosais, regresso ao ambiente bucólico.

À entrada do Parque Florestal Sete Fontes, sigo as indicações da tabuleta: 
reduzo a velocidade de 6 para 3 km por hora.

Longo é o caminho até à Ponta dos Rosais. O prolongado silêncio apenas foi interrompido pelo mugir das vacas ou pela passagem de um ou outro agricultor.

Vacas sebastiânicas.

Pico e Faial vistos do interior da vigia da baleia da Ponta dos Rosais.

Pico etéreo.

Complexo do Farol dos Rosais visto da vigia.

Quando foi inaugurado, em 1958, era o melhor farol do território nacional. Os sismos limitaram-lhe a existência. A crise sísmica de 1964 forçou a primeira evacuação das famílias que ali viviam; o terramoto de 1980 provocou o abandono definitivo. Hoje, é um espaço fantasmagórico. Nas paredes, há registos de breves aventuras de verão e algumas notas de humor: “Está a ser filmado!”

Degradação e abandono.

Luzes e sombras.

Entrada principal e céu índigo.

As melhores vistas escondem-se nas traseiras do complexo. Afastam-se as matas e vemos a Ponta dos Rosais, a cabeça do Dragão, o penhasco derradeiro de S. Jorge.

Visão aberta do Atlântico, com as ilhas do Pico e do Faial. Do ponto de vista simbólico, a minha viagem chegou ao fim. O longo caminho de regresso a Velas deu-me tempo para balanços dos dias jorgenses.

Velas

Miradouro de Velas, o concelho mais importante de S. Jorge. “Os naturais (…) das duas vertentes da Serra única e longitudinal de S. Jorge (…) acostumam-se de meninos ao palpite e à sondagem do horizonte: são naturalmente vigias ou velas. A atitude radical do ilhéu é chegar à porta de casa e interrogar o mar. (…) O nome da vila de Velas, que coube à cabeça de povoamento de S. Jorge, põe na ilha alpestre essa espécie de divisa do destino islenho – que é vigiar, velar.” Vitorino Nemésio, em O Corsário das Ilhas.

Barco interilhas S. Roque do Pico -Velas.

Havana em Velas. 
Um momento Buena Vista Social Club na Praça da República.

Rua Francisco de Lacerda, principal artéria comercial.

A Igreja Matriz de Velas possui um pequeno e interessante museu de arte sacra. O Café Açor tem uma ala lateral sobre a Praça Velha, o espaço nobre e mais antigo da vila.

Na marginal, o auditório amarelo está assente nas fundações do antigo Forte Nossa Senhora da Conceição que protegia a entrada oeste do porto.

Cais de Velas, em 1913. Desmancho da baleia. Os cetáceos eram acostados ao cais e as mantas de toucinho retiradas com ajuda de um guindaste. A partir de 1946, a maioria dos cachalotes passou a ser processada nas fábricas do Pico e do Faial. Fonte: Ilustração Portuguesa através do www.portodacalheta.blogspot.com 

Cais de Velas em 2014.

Retoques na pintura. Cais de Velas. Do alto do firmamento, protegido pelo seu bando de milhafres, diz o valente açor aos pobres pintainhos: “Não sejam piegas!” Mas, cá em baixo, no galinheiro, o apego ao Calimero é intemporal: o milho é pouco, as raposas estão sempre à espreita e há que aguentar com o fedor das doninhas.