Robert Lewandowsky, conselheiro nacional.
Trinta e quatro anos depois, regressei a Varsóvia. A paisagem urbana e social
em redor do Palácio da Cultura alterou-se substancialmente.
Pałac Kultury i Nauki (PKiN,
1955). O Palácio da Cultura e da Ciência foi um
presente de Estaline. Tem 237 metros, 42 andares e 3.288 divisões. É um edifício
polémico por tudo o que representa enquanto arte e política. Houve
propostas de demolição, mas o PKiN é tão grande e icónico que não é possível
imaginar a silhueta da cidade sem a sua presença.
No 4.º andar, um espaço surpreendente sobre a noite de Varsóvia durante a
Guerra Fria: o Museu do Néon.
A "neonização" começou em 1956, quando o governo criou a empresa Reklama, para fabricar letreiros luminosos. Foi uma manifestação artística que trouxe cor a uma cidade cinzenta, liberdade criativa aos designers e, sobretudo, esperança numa vida melhor, após os anos duros da reconstrução. Nos anos 90, depois da queda do regime comunista, os néons deterioraram-se pelo abandono. O museu dedica-se à sua preservação e restauro.
Nowy Swyat, n.º 47. Joseph Conrad viveu menos de um ano nesta
casa quando tinha apenas 3 anos, entre 1861-62. Apesar do pouco tempo, as
autoridades polacas não deixam de o reivindicar para o seu património
literário.
“Lord
Jim” foi um dos meus companheiros de viagem. Na segunda parte do romance, Jim
parte para Patusan (local fictício ambientado no arquipélago malaio), para
substituir um português de Malaca chamado Cornélio, um indivíduo “pouco
recomendável”, por “razões indefinidas e perigosas” (pág. 203, Edição
Europa-América). Pelo nome que escolheu e pela descrição psicológica da
personagem, Conrad tinha-nos em boa consideração.
Nicolau Copérnico, um lugar de culto para os terraplanistas e outros familiares.
No centro histórico.
Rynek Starego Miasta, a Praça do Mercado.
85% de Varsóvia foi destruída na 2GM. A praça foi reconstruída entre 1948-53.
Revolta de Varsóvia (1 de agosto - 2 de outubro de 1944). Estaline
não apoiou o “Movimento de Resistência Polaco” e deixou que a revolta fosse
esmagada pelos alemães. Os soviéticos entraram em Varsóvia em janeiro de 1945,
depois de a cidade ter sido destruída e saqueada. Durante décadas, a revolta
polaca foi minimizada pelas autoridades. No filme "A Verdadeira Dor"
(Jesse Eisenberg, EUA-Polónia, 2024) há uma cena “falta de filtro” deliberada
junto ao monumento.
O Pacto Molotov-Ribbentrop levou à divisão da Polónia entre a Alemanha e a
URSS. O Museu Katyn (floresta perto de Smolensk, na Rússia; não
confundir com a aldeia Khatyn, na Bielorrússia) contextualiza os massacres
realizados pelos soviéticos na Polónia Oriental, antes da Operação Barbarossa,
em 1941.
Filme “Katyn” (Andrzej Wajda, Polónia, 2007). O pai do realizador foi uma das 21.768 vítimas identificadas no massacre de abril/maio de 1940.
Em 10 de abril de 2010, a tragédia de Katyn teve um segundo episódio.
Parte da elite polaca (presidente, membros do governo e exército) morreu num
acidente aéreo, quando ia participar numa cerimónia de homenagem às vítimas de
1940.
Objetos de quatro locais de massacre: Katyn e Miednoje, na Rússia; Karkiv e
Bykownia, na Ucrânia.
Escadaria na Ponte Gdansk…
…sobre o rio Vístula.
Há drogas complicadas em Varsóvia.
Muranów, um cinema dos anos 50 reconvertido em cineclube.
Folhetos de filmes recentemente exibidos. A sala de convívio mantém a
estética da época.
Um lugar de resistência para recuar à Polónia do século passado: Bar
Kawowy.
No interior.
Interior do Polin. Viagem pela civilização iídiche, desde a chegada
dos judeus até às consequências do Holocausto: 90% dos 3.5 milhões
desapareceram.
Reconstrução da sinagoga de madeira Gwózdiec (hoje, na Ucrânia),
século XVII. A original foi destruída na 2GM.
Visão completa do teto.
No século XIX, houve muita emigração judaica para o continente americano,
devido a razões económicas e aos pogroms. Algumas dessas rotas migratórias
passaram pela Península Ibérica.
É impossível não sentir compaixão pelo passado e, ao mesmo tempo, não pensar
na condição humana em Gaza e na Cisjordânia.
A nova Varsóvia comercial e luminosa diante do PKiN.
Os polacos do Porto captaram o espírito da cidade: ninguém conduz um Ferrari
vermelho.
A antiga sede do PC Polaco transformou-se num dos lugares da noite.
O pátio está preenchido com espaços seletos.
Sempre presente.
O MDM (Marszałkowska Dzielnica Mieszkaniowa/Bairro Residencial de Marszałkowska) é um clássico da arquitetura socialista da década de 1950.
Abrange, entre outras, a rua Marszałkowska…
… e o inevitável PKiN.
Uma palavra que remete para a infância e os programas do Vasco Granja. Quantos filmes de animação de leste terei visto à espera da Pantera Cor-de-Rosa? “Koniec” significa “Fim”.


































































