sábado, 5 de setembro de 2026

Varsóvia

 

Robert Lewandowsky, conselheiro nacional.


Trinta e quatro anos depois, regressei a Varsóvia. A paisagem urbana e social em redor do Palácio da Cultura alterou-se substancialmente.

Pałac Kultury i Nauki (PKiN, 1955). O Palácio da Cultura e da Ciência foi um presente de Estaline. Tem 237 metros, 42 andares e 3.288 divisões. É um edifício polémico por tudo o que representa enquanto arte e política. Houve propostas de demolição, mas o PKiN é tão grande e icónico que não é possível imaginar a silhueta da cidade sem a sua presença.


No 4.º andar, um espaço surpreendente sobre a noite de Varsóvia durante a Guerra Fria: o Museu do Néon


A "neonização" começou em 1956, quando o governo criou a empresa Reklama, para fabricar letreiros luminosos. Foi uma manifestação artística que trouxe cor a uma cidade cinzenta, liberdade criativa aos designers e, sobretudo, esperança numa vida melhor, após os anos duros da reconstrução. Nos anos 90, depois da queda do regime comunista, os néons deterioraram-se pelo abandono. O museu dedica-se à sua preservação e restauro.



Nowy Swyat, n.º 47. Joseph Conrad viveu menos de um ano nesta casa quando tinha apenas 3 anos, entre 1861-62. Apesar do pouco tempo, as autoridades polacas não deixam de o reivindicar para o seu património literário.

“Lord Jim” foi um dos meus companheiros de viagem. Na segunda parte do romance, Jim parte para Patusan (local fictício ambientado no arquipélago malaio), para substituir um português de Malaca chamado Cornélio, um indivíduo “pouco recomendável”, por “razões indefinidas e perigosas” (pág. 203, Edição Europa-América). Pelo nome que escolheu e pela descrição psicológica da personagem, Conrad tinha-nos em boa consideração.


Nicolau Copérnico, um lugar de culto para os terraplanistas e outros familiares.


No centro histórico.


Rynek Starego Miasta, a Praça do Mercado.


85% de Varsóvia foi destruída na 2GM. A praça foi reconstruída entre 1948-53.


Revolta de Varsóvia (1 de agosto - 2 de outubro de 1944). Estaline não apoiou o “Movimento de Resistência Polaco” e deixou que a revolta fosse esmagada pelos alemães. Os soviéticos entraram em Varsóvia em janeiro de 1945, depois de a cidade ter sido destruída e saqueada. Durante décadas, a revolta polaca foi minimizada pelas autoridades. No filme "A Verdadeira Dor" (Jesse Eisenberg, EUA-Polónia, 2024) há uma cena “falta de filtro” deliberada junto ao monumento.


O Pacto Molotov-Ribbentrop levou à divisão da Polónia entre a Alemanha e a URSS. O Museu Katyn (floresta perto de Smolensk, na Rússia; não confundir com a aldeia Khatyn, na Bielorrússia) contextualiza os massacres realizados pelos soviéticos na Polónia Oriental, antes da Operação Barbarossa, em 1941.


Filme “Katyn” (Andrzej Wajda, Polónia, 2007). O pai do realizador foi uma das 21.768 vítimas identificadas no massacre de abril/maio de 1940.

Em 10 de abril de 2010, a tragédia de Katyn teve um segundo episódio. Parte da elite polaca (presidente, membros do governo e exército) morreu num acidente aéreo, quando ia participar numa cerimónia de homenagem às vítimas de 1940.


Objetos de quatro locais de massacre: Katyn e Miednoje, na Rússia; Karkiv e Bykownia, na Ucrânia.


Escadaria na Ponte Gdansk


…sobre o rio Vístula.


Há drogas complicadas em Varsóvia.


Muranów, um cinema dos anos 50 reconvertido em cineclube.


Folhetos de filmes recentemente exibidos. A sala de convívio mantém a estética da época.


Um lugar de resistência para recuar à Polónia do século passado: Bar Kawowy.


No interior.

 

Interior do Polin. Viagem pela civilização iídiche, desde a chegada dos judeus até às consequências do Holocausto: 90% dos 3.5 milhões desapareceram.


Reconstrução da sinagoga de madeira Gwózdiec (hoje, na Ucrânia), século XVII. A original foi destruída na 2GM.


Visão completa do teto.


No século XIX, houve muita emigração judaica para o continente americano, devido a razões económicas e aos pogroms. Algumas dessas rotas migratórias passaram pela Península Ibérica.


É impossível não sentir compaixão pelo passado e, ao mesmo tempo, não pensar na condição humana em Gaza e na Cisjordânia.


A nova Varsóvia comercial e luminosa diante do PKiN.


Os polacos do Porto captaram o espírito da cidade: ninguém conduz um Ferrari vermelho.


A antiga sede do PC Polaco transformou-se num dos lugares da noite.


O pátio está preenchido com espaços seletos.


Sempre presente.


O MDM (Marszałkowska Dzielnica Mieszkaniowa/Bairro Residencial de Marszałkowska) é um clássico da arquitetura socialista da década de 1950. 

 

 Abrange, entre outras, a rua Marszałkowska…


… e o inevitável PKiN.


Uma palavra que remete para a infância e os programas do Vasco Granja. Quantos filmes de animação de leste terei visto à espera da Pantera Cor-de-Rosa? “Koniec” significa “Fim”.

Brest


Sala de espera da Estação Central de Brest.



Entrada principal.




Largo da Estação.




Mesmo ao final do dia, Lenine nunca deixa de indicar o caminho.



Café-Restaurante Gagarin.


Um concerto com o Homem-Aranha na Sovietskaya, a rua pedonal e comercial do centro de Brest.



Monumento ao Milénio, entre Sovietskaya e Gogol.



Modernismo soviético I: Cinema Belarus.



Modernismo soviético II: Gelataria Buontalenti.



Mercado Central.


Memorial Gueto de Brest. Em 2019, na rua Kuybyshev, foi descoberto uma vala com 1.214 corpos.


Antes da 2GM, a maioria da população de Brest era judaica (40%, 21.518). Hoje, é residual.

Em outubro de 1942, os moradores do gueto foram levados de comboio para Bronnaya Gora (120 km a leste), onde foram mortos e deixados em valas comuns. Um caso singular no Holocausto: a identidade exata de cada vítima foi registrada antes da deportação. Os arquivos municipais preservam 12.260 fichas de identificação.


O Museu dos Judeus é um sítio modesto, no interior de um apartamento, dedicado à herança judaica de Brest. Está permanentemente fechado. Consegui entrar graças aos bons ofícios de um residente maldisposto. Um segundo telefonema num “tom diplomático agressivo” convenceu a família cuidadora a deslocar-se ao local para abrir a porta.


Casa onde nasceu Menachem Begin (1913-92), Primeiro-Ministro de Israel entre 1977-83. Os pais foram mortos no início da liquidação do gueto.


Ainda há Ladas na Bielorrússia.


Museu Ferroviário.


Entrada na Fortaleza de Brest/Memorial Soviético, o mais impressionante da URSS, a par de Volgogrado. Por baixo da estrela de cinco pontas ecoam o batimento cardíaco de soldados, bombardeamentos, tiros de metralhadora, anúncios da Rádio Moscovo e canções patrióticas com orquestra e coro. A vibração sonora coloca o visitante, de imediato, no contexto de guerra. 


Em 22 de junho de 1941, o ataque da Alemanha à Fortaleza de Brest deu início à Operação Barbarossa. A resistência durou sete dias. Os soviéticos libertaram Brest em 28 de julho de 1944. A escultura “Sede” (Zhazhda) mostra um soldado moribundo rastejando com um capacete na mão a servir de cantil (as flores são artificiais). Muitos soldados morreram a tentar obter água nos rios.


Dentro da Fortaleza de Brest encontram-se as ruínas do Palácio Branco, onde foi assinado o Tratado de Paz Brest-Litovsky, em 3 de março de 1918, entre a Rússia Bolchevique e as Potências Centrais. O edifício foi destruído na 2GM.


Ao centro, a baioneta de 100 metros.


Escultura “Coragem” (Glavnyy, 34m por 54m), um soldado soviético de rosto sombrio em homenagem aos defensores da cidade.


Pavlov em visita ao memorial.


Catedral da Guarnição de S. Nicolau.


O Portão Kholmskie tal como ficou em 1945.


Os túmulos, as músicas e a “Coragem” não deixam ninguém indiferente.


No exterior, há recordações ingénuas de interpretação ambígua.


Gorros “soviete clássico” e “soviete chique”.


Debaixo de um viaduto.


Igreja da Irmandade de S. Nicolau.


No interior.


Sob ameaça de chuva.


Nas margens do rio Bug.


Em contagem decrescente para partir. Brest é a nova “Cortina de Ferro”. Terespol, na Polónia, fica a 3 km de distância e a 10 horas de controlo fronteiriço.