sábado, 5 de setembro de 2026

Minsk

 

Portas de Minsk. As torres gémeas estalinistas assinalam a entrada no centro da cidade. Na torre direita, o emblema da República Socialista Soviética Bielorrussa; na torre esquerda, o relógio alemão capturado na 2GM.


Ploshchad Nezavisimosti / Praça da Independência. Lenine à frente do Parlamento. Debaixo de terra, um velho e um novo mundo surpreendente.


Capitalismo subterrâneo: centro comercial Stolica.


Comunismo subterrâneo: Metro Lenina.


À saída da estação, Lenine com o nariz oxidado.


Prospekt Nezavisimosti / Avenida da Independência. A maior avenida do mundo: 15 km de História e charme brutalista. Na foto, o edifício Central dos Correios, com foices, martelos, coroas e estrelas. Com o passar do tempo, os elementos decorativos da paisagem urbana retro soviética normalizam-se aos olhos do forasteiro.


Café Centralny, um clássico do convívio social em pé.


Os lustres do Centralny.


Interior dos armazéns GUM (Glávnyj Universáľnyj Magazín / Principal Loja Universal), o décor de inspiração moscovita.


Último andar.


Avenida da Independência. Os mosaicos da estação de Metro Kastryčnickaya Oktyabrskaya / Revolução de Outubro remetem para o Cosmos.


Dentro da Revolução.


O interior da estação é um espaço indiferente ao tempo.



Em frente ao Circo Estatal Bielorrusso, uma prenda de Estaline pelo esforço bielorrusso durante a 2GM, um jovem casal retrata-se para a posteridade. Quando foi inaugurado em 1959, era o maior da URSS.


Não há avenida como esta.


Teatro Nacional, Ballet e Ópera Bolshoi .


Maxim Bogdanovich (1891-1917), considerado um dos fundadores da literatura bielorrussa, observa o crescimento da cidade e o domínio da língua russa no país.


Na rua Kamunistyskaya (não carece de tradução), a “Casa da Torre” com uma estrela de cinco pontas no topo do edifício residencial.


Kamunistyskaya, n.º 4. Se ele não tivesse regressado, eu não teria vindo cá. O prédio onde morou, entre 1960-62, Lee Harvey Oswald, o homem acusado de ter assassinado o Presidente Kennedy, em Dallas, em 22 de novembro de 1963. No local, nada assinala a sua presença. Compreende-se. O assunto é constrangedor. A viagem para a URSS, a sua vida em Minsk e o seu retorno aos EUA levantam muitas questões. Há literatura, teorias e filmes sobre a personagem e os acontecimentos equivalentes ao comprimento da Avenida da Independência.


Plošča Pieramohi / Praça da Vitória.


No subsolo, tal como à superfície, celebra-se a vitória e presta-se homenagem aos mortos.


Parque Gorky / Horkaha. Viagem aos tempos de lazer soviéticos: roda-gigante e diversão popular.


Uma partida de hóquei em gelo no pavilhão do Dínamo de Minsk . Havia uma atmosfera negativa no ar. Passados ​​10 minutos, um tipo de manga curta sente-se abandonado numa arca frigorífica.


Estúdio-Memorial Zair Azgur (1908-1995). Heróis de guerra, dirigentes comunistas, escritores nacionais, líderes internacionais. O século XX através das obras do escultor bielorrusso. Em nenhum lugar do mundo há uma concentração tão elevada de Lenines e Estalines por metro quadrado.


Catedral Ortodoxa do Espírito Santo .


No piso inferior.


Num bar “alternativo” do bairro Trindade destinado à juventude irreverente.


Solidariedade (1979), um sermão visual do idealismo soviético. Robustos e musculosos operários, cientistas e camponeses marcham unidos em direção ao futuro. Antes sobre uma loja de roupas da URSS; agora sobre os frangos do Kentucky.


Robert De Niro em Minsk:Are you taking pictures of me?”


Válvulas de escape. A decadência ocidental, antes criticada e reprimida, é tolerada na publicidade. Tal como o bar, há mecanismos que permitem absorver tensões sem romper com a ordem exigida.


A escadaria para os pisos superiores do Nyamiha, um centro comercial soviético.


Pedidos de ajuda na Catedral de S. Pedro e S. Paulo .


Cinema Moscovo, modernismo soviético de 1980. Exterior e interior grandiosos.


Memorial Yama. A escultura “O Último Caminho” (2000) faz parte do Memorial “O Poço”. Em 2 de março de 1942, foram assassinados 5 mil judeus no local. Ao fundo, há um pequeno obelisco colocado por familiares, em 1946. O gueto de Minsk foi o maior da URSS. Calcula-se que tivesse entre 80 e 100 mil judeus. A maioria não sobreviveu.


Metro Fruzienskaya. Na luz, a pujança invencível dos trabalhadores.



Na sombra, um convite para um karaoke.


A Bielorrússia conserva os últimos bisontes europeus no Parque Bielaviežskaja Pušča.


Waze analógico.


O novo Museu Grande Guerra Patriótica (2014) parece saído de um manual de arquitetura dos anos 50.


À entrada, a Grande Mãe Pátria Bielorrussa saúda-nos.


O museu primitivo foi inaugurado em 25 de outubro de 1944, após a liberação de Minsk. A guerra ainda não tinha terminado e já se comemorava a vitória.


Ao longo do tempo, recebeu ilustres visitantes.


No exterior, um camião com a célebre fotografia de Euvgeny Khaldei, “Erguendo a bandeira sobre o Reichstag” (2 de maio 1945). Há um detalhe que a aproxima da verdade. O soldado soviético que aparece no canto inferior direito traz um relógio em cada pulso. Na imagem que foi usada para efeitos de propaganda no pós-guerra, o relógio do pulso direito tinha sido apagado, para esconder a pilhagem.


O museu é um bom ponto de partida para entender a relação umbilical entre a Rússia e a Bielorrússia. Não existe uma distinção clara entre as “duas Rússias”. Ao olhar para o ar de felicidade feminina, fica-se com a impressão de que tudo está bem e recomenda-se.


Uma parte significativa da exposição apresenta dioramas com tanques, arame farpado, aviões, artilharia, batalhas e destruição que contam a história soviética da guerra.


Grandes ausentes: o Pacto de Não Agressão Molotov-Ribbentrop de 1939 e as purgas no exército vermelho antes da 2GM, que deixaram a URSS exposta no início da Operação Barbarossa, em 1941.


A Batalha de Stalingrado tem um grande destaque.


Kiev mantém o seu espaço ao lado das outras “Cidades Heroicas”.


Nos arredores de Minsk, situava-se o campo de concentração Maly Trostinets. A maior parte dos 200 mil mortos era originária da Bielorrússia, mas havia judeus de países da Europa Central. Os alemães destruíram o campo antes da libertação.


Durante a ocupação da Bielorrússia, os nazis destruíram e incendiaram 10 mil aldeias. O filme “ Vem e Vê ” (Elem Klimov, 1985, URSS) tem como pano de fundo o massacre de Khatyn, em 1943, e retrata os efeitos devastadores da guerra através do olhar de um adolescente.


A exposição termina numa ampla cobertura em vidro, o Salão da Vitória. A Bielorrússia perdeu cerca de um quarto da sua população. Números do museu: 2.357.000.


Hotel Bielorrússia. Construído para os Jogos Olímpicos de Moscovo 1980. Minsk acolheu um grupo do torneio de futebol. A estrutura lateral esquerda é, atualmente, um casino.


Nas margens do rio Svislach.


Modernidade Faraónica.


Ilha das Lágrimas, rio Svislach. Memorial dedicado aos soldados bielorrussos mortos no Afeganistão. O livro “Rapazes de Zinco”, de Svetlana Alexievich, tem uma imagem parcial na capa.


Mercado Komarovsky.


Arquitetura soviética: prédios com forma de espiga de milho.


Cinema Outubro, modernismo soviético de 1980. Grandioso por fora, menos por dentro.


Metro Moskovskaya , imagem estilizada do Kremlin. A informação está escrita em russo e bielorrusso, em caracteres cirílicos. O transporte é rápido, eficiente e barato, mas convém estar atento, para seguir na direção correta e sair na estação desejada.


Universidade Técnica Nacional – Faculdade de Engenharia e Arquitetura (1983). Em 2010, quando concluiu o projeto para a Taschen “CCCP: Cosmic Communist Constructions Photographed”, o fotógrafo Frédéric Chaubin lembrou-se do primeiro edifício que captou a sua atenção: uma “construção louca” na estrada do aeroporto, vista numa visita nos anos 90. O livro é um companheiro inseparável para quem viaja pelas repúblicas da ex-URSS e aprecia estruturas desconcertantes.


Universidade Técnica Nacional – Faculdade de Engenharia e Arquitetura, em 2026.


Dana Mall, um moderno centro comercial em frente às Portas Este de Minsk.


Biblioteca Nacional da Bielorrússia (2006). Vidro e aço distribuídos por oito painéis triangulares e dezoito painéis quadrados. Para simplificar: um rombicuboctaedro.


Minsk dourada.



O bairro MZOR, Fábrica da Revolução de Outubro de Minsk, ou, se preferirem no original latinizado, Minskiy Zavod Oktyabr'skoy Revolyutsii, foi transformado numa ampla zona artística. As antigas fábricas e armazéns foram recicladas em lojas, bares, hotéis e galerias. Entalado entre o Islão e a Coca-Cola, Lenine tem uma saída para um bar.


Estádio do Dínamo de Minsk. De um lado, tradição e modernidade.


Do outro, uma nave futurista.


O Passeio (1917-1918). Marc Chagall está de sorriso rasgado, enquanto sua esposa Bella parece voar no céu. Um casal feliz. Trinta anos depois, voltei a cruzar-me com esta pintura (fonte da imagem: Wikipedia). 

Até ao final de outubro, o Museu Nacional de Arte acolhe a obra graças ao empréstimo do Museu Estatal Russo de S. Petersburgo. Chagall nasceu em 1887, em Vitebsk (274 km de Minsk), e faleceu, em 1985, em St Paul de Vence (perto de Nice, França). A Bielorrússia não possui pinturas originais do seu artista mais conhecido.


O parque automóvel de Minsk é novo e robusto. Este “Buena Vista Social Club” é uma das raras exceções que circulam pela cidade.


Dois portugueses em Minsk.