sábado, 5 de setembro de 2026

HBO "Chernobyl" e Lituânia

 


HBO “Chernobyl” (Johan Renck, EUA-Reino Unido, 2019). A maior parte das filmagens decorreu na Lituânia, principalmente, em Vilnius e Kaunas.

O argumentista Craig Mazin baseou-se nas memórias dos habitantes de Prypiat relatadas pela escritora bielorrussa Svetlana Alexievich, em “Vozes de Chernobyl”.


A Central Nuclear de Ignalina serviu de cenário para a série, por ter semelhanças visuais e estruturais à de Chernobyl. História e visita virtual (em inglês) aqui: https://virtual.iae.lt/


Sala de controlo da Central Nuclear de Ignalina. Ficou na memória o botão de emergência para desligar o reator: AZ-5.


Cada barra de controlo do núcleo pesa 350 kg e tem 7 metros. Na noite de 25 para 26 de abril de 1986, o reator 4 da Central Nuclear de Chernobyl explodiu.


HBO “Chernobyl”. Fabijoniškės (Vilnius). Evacuação tendo como cenário o bloco 92.


Bloco 92. O bairro Fabijoniškės foi construído nas décadas de 1970 e 1980 e tem caraterísticas idênticas a Pripyat: apartamentos padronizados, linhas geométricas, parques infantis e amplos espaços entre edifícios.


Ao contrário de Pripyat, que permanece abandonada, Fabijoniškės é uma área habitada que mantém muitos elementos arquitetónicos originais.


HBO “Chernobyl”. Evacuação de Pripyat em autocarros filmada na Stanevičiaus 52.



Os blocos monolíticos na Stanevičiaus 52. 


A tranquilidade observada contrasta com as imagens icónicas da evacuação: autocarros que partem, pessoas confusas, animais abandonados que correm desesperados atrás dos donos…


Fabijoniškės permitiu à série capturar a aparência física de Pripyat e o seu clima psicológico: a normalidade quotidiana antes de ser destruída por uma catástrofe invisível.



HBO “Chernobyl”. Boris Cherbina (Stellan Skarsgård) e Valery Legasov (Jared Harris) observam Pripyat abandonada no terraço do bloco Stanevičiaus 47.


Bloco Stanevičiaus 47.


Fachadas repetitivas, varandas idênticas, …


…prédios geminados.


O Palácio de Cultura, Entretenimento e Desporto do Ministério do Interior é um exemplo da arquitetura modernista soviética em Vilnius. Foi usado para filmar o bar-restaurante do Hotel Pripyat…


… e a cena da seleção dos três mergulhadores que têm como missão drenar a água que se encontra debaixo do reator e evitar uma nova explosão. 


HBO “Chernobyl”. Hospital Número 6, Moscovo, onde foram internados os bombeiros.


O edifício que serviu de cenário para o hospital pertence à Universidade de Kaunas .


HBO “Chernobyl”. Ulana Khomyuk (Emily Watson) conversa com Valery Legasov (Jared Harris) numa prisão, após ter sido detida no Hospital de Moscovo.


O Museu da Ocupação e da Luta pela Liberdade foi uma prisão da KGB, em Vilnius, que mantém as celas e salas de tortura intactas. Serviu de cenário para a detenção e libertação de Ulana Khomyuk.


O apartamento de Valery Legasov, em Moscovo, foi filmado em Kaunas. Atualmente, é o Museu da Escola de Amesterdão. É um dos representantes do Modernismo e da Arte Déco entre as duas guerras. Um detalhe: à esquerda, a pequena e escura entrada onde Legasov despeja o lixo e esconde as cassetes com as suas memórias e reflexões sobre o acidente.

Visaginas e Kaunas

 

Visaginas situa-se no nordeste da Lituânia. Foi fundada em 1975 para acolher os trabalhadores da Central Nuclear de Ignalina, tal como Pripyat em relação a Chernobyl. A cidade mais jovem da ex-república soviética, com a central projetada mais poderosa do mundo, era composta apenas por blocos de apartamentos. O planeamento estatal assegurava todas as necessidades à distância de uma curta caminhada.


A estrutura “Fonte do Sol”.


O mosaico "O Homem e os Elementos".


Perto da Câmara Municipal, existe uma escultura de um grou. A ave significa vigilância e cautela. Está colocada em cima de um antigo contador Geiger, atualmente, um relógio. Os prédios tinham sirenes para avisar os habitantes em caso de acidente.


Uma pausa no interior de um bloco de apartamentos, enquanto chovia e trovejava com estrondo.


A população residente era originária de várias repúblicas e pertencia à elite científica do país. Foto atual e três seguintes: Museu de Visaginas.


O acidente de Chernobyl, o fim da URSS e a adesão à UE alteraram o destino de Visaginas. Por motivos de segurança, a Central Nuclear foi encerrada em 2009.


O processo de desativação, desmantelamento e descontaminação irá prolongar-se até 2038. O fim da cidade atómica coloca várias interrogações no presente e para o futuro.


Cerca de 7.000 lituanos, incluindo 600 residentes de Visaginas, participaram nas operações de liquidação de Chernobyl. Todos os anos, a associação "Chernobyliesiai" presta homenagem aos mortos.


O nome da pizzaria "III Blokas" remete para a inacabada Unidade 3 da Central Nuclear.


Viagem de comboio Vilnius – Kaunas com o Bambi.


À primeira vista parece uma escultura abstrata, mas …


… ao olhar mais de perto, veem-se formas humanas rudimentares, com rostos quadrados e punhos erguidos. O Memorial às Vítimas do Nazismo (Alfonsas Ambraziūnas,1984) está dividido em três partes: "Dor" (direita), "Esperança" (esquerda) e "Libertação" (centro). 32 metros de betão esmagadores.


Ao lado do Memorial, encontra-se o IX Forte de Kaunas. No interior, há um museu histórico (1882-1990) e diversas instalações que mantêm viva a memória do passado. Nazis e soviéticos, em escalas diferentes, deixaram um rastro de repressão e morte.


As fotografias tiradas, em segredo, por Georges Kadish (judeu lituano nascido Zvi Hirtsh Kadushin, 1910-1997) retratam o quotidiano no gueto de Kaunas.


Entre 1941-1944, o Forte foi usado pelos nazis para interrogar, prender e executar prisioneiros. Morreram 50.000 pessoas, incluindo 30.000 judeus. Numa escavação arqueológica nos campos de morte, realizada nos anos 60, foi encontrada uma garrafa de Vinho do Porto da 1.ª metade do século XX. 


Há, ainda, histórias felizes de sobrevivência, fuga e de humanismo. Em 1940, o diplomata japonês Chiune Sugihara passou 2.139 vistos, que permitiram salvar mais de 6 mil judeus, durante a ocupação soviética da Lituânia. Em 1985, o Yad Vashem atribuiu-lhe o título “Justo Entre as Nações”.


Em 2026, atravessa-se os 256 metros da Ponte Vytautas em menos de um minuto. Nem sempre foi assim. Até 1918, “demorava” 13 dias. A cidade velha de Kaunas (pertencente ao ortodoxo Império Russo) usava o calendário Juliano, enquanto o bairro Aleksotas, no outro lado do rio Nemunas, (pertencente ao católico Reino da Polónia), usava o calendário Gregoriano.


Rotušės aikštė, na Praça da Câmara Municipal.


Vilniaus gatvé, a rua principal da cidade velha.


Kiemo Galerija, Galeria do Pátio.


O Museu do Diabo exibe uma coleção única no mundo, iniciada por um pintor com um apelido demoníaco: Antanas Žmuidzinavičius.


Mafarrico da Concertina.


Amor Diabólico.


Chifrudos da Venezuela.


Em resultado da ocupação de Vilnius pela Polónia (1919-39) e da designação capital temporária da Lituânia, Kaunas teve um rápido desenvolvimento urbano que produziu centenas de edifícios de arquitetura modernista. Um dos mais emblemáticos, o Correio Central, estava em restauro. Seguem-se outros exemplos.


Antiga Embaixada do Vaticano.


Igreja da Ressurreição de Cristo.


Cinema Romuva.


Residência de Antanas Žmuidzinavičius.


Nos Jogos Olímpicos de Seul, em 1988, a equipa masculina de basquetebol da URSS conquistou a medalha de ouro, após derrotar os EUA, nas meias finais, e a antiga Jugoslávia, na final. Quatro dos cinco titulares eram lituanos. Muita concentração na leitura dos nomes: Šarūnas Marčiulionis, Rimas Kurtinaitis, Arvydas Sabonis e Valdemaras Chomičius (fonte da foto: https://www.facebook.com/61550835434071/posts/legends-of-lithuanian-basketball ). Os quatro fizeram parte da equipa Žalgiris Kaunas, campeã da URSS em 1985, 1986 e 1987, à frente do CSKA, a equipa do Exército Vermelho, onde jogou outro gigante do basquetebol mundial…


Vladimir Tkatchenko (equipado de vermelho).  Fonte da foto: https://www.basketeurope.com/vladimir-tkatchenko-lours-sovietique/


Ao visitar a Žalgiris Arena, lembrei-me dos meus tempos de liceu, no final dos anos 80, em que tive um lendário professor de Administração Pública com o cognome “Tkatchenko”, por ser fisicamente parecido com ele.