domingo, 10 de maio de 2026

Split - Modernismo Jugoslavo

O passado jugoslavo de Split é uma herança histórica menos visitável da cidade. Para encontrá-la é necessário disponibilidade, pois ela não se revela no imediato nem está concentrada numa só área. O bairro Split 3 é o mais conhecido e estudado. Em 2019, foi incluído numa exposição no MoMA, em Nova Iorque, intitulada “Toward a Concrete Utopia Architecture in Yugoslavia, 1948–1980”. Construído nas décadas de 60 e 70, combina funcionalidade construtiva e visão social em harmonia com o ambiente, nomeadamente, através da orientação solar, da ventilação natural e da proximidade com o mar. Apesar dos sinais de degradação da passagem do tempo, muitas linhas arquitetónicas mantêm intacta a sua modernidade.


Junto ao Hospital Universitário KBC, o Krstarica ("Cruzador", 1970-1974), um edifício singular que lembra um navio monstruoso. A estrutura foi projetada para simbolizar o poder naval jugoslavo e o seu papel no Movimento dos Não Alinhados. O prédio foi a etapa inicial de uma longa caminhada pelo bairro.









































O Complexo Desportivo Gripe foi construído para os Jogos do Mediterrâneo, em 1979.


Complexo Desportivo Gripe II.


No bairro Poljud, este edifício é conhecido informalmente por “Muralha da China”.


A “Muralha da China” em Split.


Em Poljud localiza-se o Estádio do Hajduk, construído igualmente para os Jogos do Mediterrâneo. Várias equipas portuguesas e a seleção nacional jogaram neste local.


No exterior da Estação de Comboios, uma pintura num cilindro recorda o evento desportivo.


Em Split há uma paixão irracional pelo Hajduk e uma rivalidade feroz com o Dínamo de Zagreb. Por toda a cidade encontram-se emblemas pintados nos prédios, bandeiras nas janelas e…


… antigas glórias imortalizadas.


Peça de artilharia em Kašjuni usada na proteção de Split, em 1991-92.


Uma relíquia da guerra estacionada num canto da Estação. Um comboio blindado com aço e cimento, feito a partir de uma locomotiva e duas carruagens. Foi construído em 1991, pelo exército e pelos estaleiros navais de Split, para combater os comboios blindados sérvios. Nunca entrou em combate.


O fim da Jugoslávia numa montra do centro. Passaram mais de trinta anos. Apesar da normalização das relações com a Sérvia, o tema da “Guerra da Libertação”, expressão croata, continua em discussão na sociedade. 

Split - Diocleciano

Estávamos em 295. O Imperador romano Diocleciano, esgotado pela tarefa de governar, tomou uma decisão inédita e radical: abdicou do poder e decidiu passar os últimos anos da sua vida em frente ao mar, perto da sua Salona natal, num local chamado Aspalathos. Para esse fim, ordenou a construção de um palácio sem olhar a gastos. Contratou os melhores arquitetos e escolheu os melhores materiais. Trouxe esfinges do Egito, mármores de Itália e capitéis da Grécia. Após dez anos de trabalho, surgiu uma obra-prima da arquitetura romana que daria lugar à cidade de Split. Hoje, como ontem, caminhar pelo centro da urbe equivale a fazê-lo pelo interior do palácio.

Reconstituição do Palácio de Diocleciano pelo arquiteto francês Ernest Hébrard, 1912.


O Palácio tinha quatro entradas: três terrestres e uma marítima. No século XVIII, foi construída a marginal Riva diante da porta do mar.


A Riva numa manhã de chuva.


Riva: mescla de edifícios da antiguidade à modernidade.


Praça da República I.


Praça da República II.


Em frente à Porta Dourada, a estátua de Gregório de Nin numa pose colérica, obra do escultor croata Ivan Meštrović. O Bispo foi o grande defensor da língua croata no século X.


Na parte superior da Porta Dourada, o minúsculo Convento de S. Martinho, reconvertido num espaço religioso no século VI e ocupado, na atualidade, por seis freiras dominicanas.


No interior do palácio I.


No interior do palácio II.


Restaurante Figo. Um exemplo da convivência caótica entre moradores permanentes, espaço público e antiguidade clássica.


Praça do Povo. Local de encontro da modernidade com o património veneziano, judaico e otomano assente em raízes romanas.


Praça do Povo, Livraria Morpurgo. Fundada por um promotor cultural e industrial judeu em 1860. É uma das três livrarias mais antigas da Europa. Hoje, é mais um nome protegido do que uma livraria de referência.


Praça do Povo. Uma placa no chão assinala a queima de livros e a prisão dos judeus em 1942. No interior do Palácio, resiste uma pequena sinagoga com serviço religioso regular.



Ribarnica, o Mercado do Peixe, fundado em 1890.


Restaurante Picasso.


Uma amálgama de edifícios de épocas e estilos diferentes. No meio, o campanário da Catedral de S. Domnius, construído entre os séculos XIII-XVI.


Praça do Peristilo, o centro do palácio.


Cenas da vida de um casamento.


Um momento Monty Python: “Romans, go home”.


A mais bem preservada esfinge egípcia.


“Deixa-me passar” é o nome da rua mais pequena do mundo.


A galeria inferior é a parte mais fiel ao original. Na Idade Média serviu de depósito de lixo que se acumulou ao longo dos séculos. Os arqueólogos começaram a retirar o entulho a partir da segunda metade do século XX.


O vestíbulo assinala o início do corredor que dava acesso à parte residencial.


“Klapa”, uma forma tradicional de canto "a capella" da Dalmácia, que significa "grupo de amigos". Património imaterial no interior do património material da UNESCO.


No terraço do Museu Etnográfico encontra-se o cimo do vestíbulo.


Um exclusivo para apreciar a excelente acústica.


A cúpula do antigo mausoléu de Diocleciano, atual interior da Catedral de S. Domnius, feita em pórfiro vermelho do Egito. O túmulo do Imperador desapareceu. Provavelmente, foi destruído quando o lugar foi reconvertido num templo cristão no século VII. As autoridades religiosas desejavam eliminar os restos mortais do antigo perseguidor de cristãos e substituí-los pela memória do mártir do século III. O primeiro bispo de Salona tornou-se o padroeiro de Split.


Para chegar ao topo do campanário é preciso subir 160 degraus.


Split.